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Axl volta. O mundo ainda precisa do Guns N' Roses?

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Axl volta. O mundo ainda precisa do Guns N' Roses?

Mensagem por Giovani em Seg Maio 10, 2010 7:16 pm




Depois de seis anos recluso trabalhando num caos que dilacerou o Guns N' Roses, Axl Rose volta ao picadeiro para tentar retomar seu lugar.

• Por: Emerson Gasparim

Uma espera que se arrastava por mais de oito anos está chegando ao fim. Em Outubro, passou a tocar em rádios de todo o planeta a música “Oh My God”, que puxa a trilha sonora do filme End of Days, em cartaz desde o fim de novembro nos EUA. Agora, o CD duplo Live Era 87-93 chega às lojas do mundo inteiro. Os dois produtos levam a assinatura do Guns N' Roses, interrompendo um jejum de oito anos sem composições inéditas e deseis sem lançar nada. Desde 1993, uma pergunta vem intrigando fãs e indústria fonográfica: o que Axl Rose está aprontando?

Em novembro, ele avisou, em entrevista por telefone (misterioso, preferiu não dar as caras) ao VJ Kurt Loder, da MTV americana: “Vamos estar por aí. Não estamos fazendo todo esse trabalho para deixar as coisas enterradas. Temos planos de sair por aí mostrando, do jeito que tem de ser”.

Os últimos discos com canções originais do Guns foram Use Your Illusion I e II, de 1991. Dois anos depois saiu do álbum de covers The Spaghetti Incident?. Em seguida, as coisas começaram a dar errado. Amigos, carreira, banda, casamentos, tudo foi o suicídio, mudaria de ramo, se entregaria à religião. Mas não Axl Rose. Ele quer voltar a ocupar o espaço que, como acredita seu inflado ego (o que lhe restou, além da fortuna), nunca deixou de ser dele.

De 1993 para cá, ninguém consegue se firmar como “o” grande astro do rock. Coincidência ou não, durante o mesmo período o gênero foi perdendo cada vez mais espaço nas paradas, até ser ultrapassado pelo rap em vendagens nos Estados Unidos (o principal mercado). Kurt Cobain, o antiastro que veio para acabar com todos os outros, não está mais na área. Steven Tyler, do Aerosmith, até ocupa o nicho que já foi do Guns (ironicamente, já que a banda de Axl tinha sido importante na reabilitação do Aerosmith), mas está velho. Noel Gallagher, do Oasis, prefere ser o rei só da Inglaterra. Parece que apenas um megastar reúne todos os quesitos necessários para a função.


Axl é rico, ostenta uma cara aceitável e, aos 37 anos, ainda está longe da aposentadoria. Em termos de rock, porém, sua idade é... difícil. Aos 37, Ozzy Osbourne já tinha gravado todos os clássicos do Black Sabbath e consolidado a carreira solo com três bons discos de estúdio: depois disso, teve apenas um momento de brilho com material inédito, No More Tears, de 1991.






Robert Plant lançou seu terceiro LP-solo, o fracote Shaken N'Stirred, aos 37 anos. Conseguiu levantar a carreira, mas apenas revivendo o fantasma do Led Zeppelin ao lado de Jimmy Page. Mick Jagger fez 37 anos em 1980 e depois disso gravou muitos trabalhos elogiados, mas nada que se equipasse às obras-primas anteriores dos Rolling Stones.

Claro, Ozzy é Ozzy, Plant é Plant, os Stones são os Stones. Mas Steven Tyler, provavelmente o nome mais adequado para comparações com Axl, tem uma bela história após os 37 anos: nessa idade, em 1985, ele ensaiava uma tímida volta do Aerosmith lançando Done With Mirrors, último álbum antes da parceria com o Run-DMC (“Walk This Way”), que começou a reerguer a banda (processo que se concretizou após Pump, em 1989). Se funcionou com Tyler, pode dar certo para Axl.

É certo que ele vai encontrar um panorama bem diferente do de 1993. Só que isso pode ser vantajoso. Afinal, os nomes que dominam a cena rock americana atual soam como piadas quando ladeados a Axl. Marilyn Manson, Korn, Limp Bizkit, Kid Rock, nenhum deles tem sequer um terço de seu carisma, de sua força no palco. Nenhum deles compôs sequer uma razoável coleção de canções...


MARILYN MANSON VAI COPIAR






De 1987 até The Spaghetti Incident?, Axl foi o dono do mundo. Onde quer que chegasse, imediatamente atraía todas as atenções. Bastava fazer um sinal para ter sexo ou drogas. Sua banda vendia milhões de discos, dinheiro que não acabava mais.

Se algo o desagradava, metia a boca ou, simplismente, a porrada. Sua vida foi se transformando em um inferno, com muitos diabos - a maioria deles - alimentados ou criados por ele mesmo.


Não que antes disso Axl vivesse no paraíso. Sua capacidade para arrumar encrenca praticamente nasceu junto com o sucesso do Guns N' Roses - e cresceu na mesma medida. No início, o mau comportamento beneficiou o grupo. Histórias de drogas e de arruaças punham em evidência o quinteto. Viagem foi acreditar que seria fácil controlar tamanho apetite por destruição.







Axl sempre colecionou confusão. A música “On In A Million”, insultava gays, negros e imigrantes e foi alvo de protestos (ainda hoje, quando Marilyn Manson anuncia que vai regravá-la). Em 1990, o cantor foi preso por bater com uma garrafa de vinho na cabeça da vizinha que reclamara do barulho em seu apartamento. No ano seguinte, em uma apresentação em Saint Louis (EUA), Axl irritou-se com um espectador que o fotografava e desde o cacete para, sem seguida, se retirar do palco. A interrupção provocou um tumulto envolvendo 2 mil pessoas.

No campo amoroso, sua vida também não era exatamente um mar de rosas. Em 1991, após muita pancadaria, anulou o casamento com a eterna namorada Erin Everly (filha de Don Everly, do Everly Brothers). No Guns, havia gente nova na bateria (Matt Sorum), na guitarra (Gilby Clarke) e um tecladista (Dizzy Reed). O baterista Steven Adler fora dispensado por estar na lama e o guitarrista Izzy Stradlin - que, junto com Axl, saiu das quebradas de Indiana de carona rumo a Los Angeles - pulou fora.

SENSAÇÃO DA MTV




Nada melhor que um disco de covers para baixar a(s) bola(s). Mas não adiantou nada. Axl continuou perdendo. Em 1994, depois de muita lavagem de roupa sua em público, perdeu a namorada, a modelo Stephanie Seymour. Até 1997, tratou de romper com os outros integrantes da banda. Pela ordem, Clarke, Slash, Duff McKagan e Sorum. Só o nome Guns ficou com ele.

Passaram pela história do guitarrista Zakk Wylde (ex da banda de Ozzy Osbourne), o baterista Dave Abruzezze (ex-Pearl Jam) e o programador Chris Venna (do Nine Inch Nails). De lá para cá, a banda teve inúmeras formações, gravou e regravou um monte de músicas e... Nada. Do pior jeito, Axl aprendeu que ninguém lidera a banda de rock líder do mercado por determinado tempo e sai impune.

A obsessão (perfeccionismo?) de Axl com o próximo produto que colocará no mercado é justificada. Para ele, não é apenas uma volta: é “a” volta, aquela que deve pavimentar seu futuro ou enterrar suas pretensões de recuperar o posto de de dono do mundo. Afinal, havia muito que o nome Guns N' Roses não aparecia sem estar acompanhado do novo chilique de Axl, da nova recusa de alguém em trabalhar com ele ou do novo adiamento do disco do grupo. Agora, pelo menos, a mídia comenta alguma coisa feita por Axl Rose no campo musical.


No começo de setembro, durante a cerimônia do MTV Video Music Awards, em Nova York, foi exibido o trailer do filme End of Days, estrelado por Arnold Schwarzenegger. Os 15 segundos da música “Oh My God” na peça foram suficientes para ofuscar o fortão. Sim, aquilo era Guns. Finalmente uma música nova.

No final do mesmo mês, o tratamento de choque para trazer Axl de volta à pauta do dia recebeu a segunda dose. Um comunicado seu chegou à imprensa explicando que a música nascera em 1997. “Um esboço foi escrito pelo guitarrista Paul Huge (chapa de Axl dos tempos durangos de Indiana), com o tecladista Dizzy Reed (único remanescente da fase áurea da banda) compondo o trecho do refrão”, dizia.

Os fãs nem tiveram tempo para digerir direito o novo Guns que se insinua em “Oh My God”: riffs pesados, programação eletrônica e a voz filtrada de Axl Rose berrando as letras montam uma sonoridade próxima do rock industrial do Nine Inch Nails. Em seguida, foi anunciado para dezembro um disco ao vivo da banda, Live Era 87-93. São 23 músicas extraídas de shows em Tóquio, Las Vegas, Paris, Nova York e cidade do México durante o período em que o grupo dominou o mundo.

O álbum é um velho anseio dos gunners.
Nos últimos anos, os ex-companheiros Axl e Slash se encontraram para avaliar se alguns registros de shows tinham qualidade suficiente para ser lançados (outra historinha ruim de acreditar). O trabalho foi interrompido com a compra da gravadora PolyGram pela Universal, transação que envolveu também Geffen, dona do passe da banda. Tão logo o negócio assentou, o projeto foi retomado.

DEMOCRACIA CHINESA




Preste atenção na concidência: em um curto intervalo, saiu a primeira música inédita do grupo em oito anos e o primeiro disco desde 1993. Um apresenta o Guns envolvido com programações eletrônicas e um ar de modernidade com a validade vencida, emprestado do Nine Inch Nails, o outro mostra a banda executando seus maiores (e não são poucos) hits no palco. Enquanto o primeiro tenta desenhar o futuro ainda incerto, o segundo remonta ao passado glorioso do grupo.
Dizem que já é a terceira vez que Axl regrava o tal disco novo. O álbum (o último nome a ser divulgado foi Chinese Democracy) está previsto para sair no ano que vem ou quando Axl achar que está pronto. A lista de músicas inclui nome azedos, como “Prostitute”, “No Love Remains” e “Hearts Always Het Killed”.

Segundo sites de fãs na Internet, no momento estão sendo refeitas as partes de guitarra do desertor Robin Finck, que voltou para o Nine Inch Nails depois que se encerrou seu contrato de dois anos com o Guns. Quem substituiu, pelo menos no estúdio, é Dave Navarro (ex-Red Hot Chili Peppers e Jane's Addiction), o guitarrista misterioso de “Oh My God”. Tudo indica que a nova formação do grupo traz, além de Dizzy Reed e Pau Huge, o baterista Josh Freese (ex-Vandals) e o baixista Tommy Stinson (ex-Replacements). Brian May, guitarrista doQueen, deve participar do disco. Como produtor, depois de Mike Clink (o mesmo de Appetite...), Youth (baixista do Killing Joke) e o tecno Moby recusarem o convite, assumiu Sean Beaven, o mesmo de Nine Inch Nails e Pantera - por acaso, uma banda industrial e outra de metal. O empresário Doug Goldstein deu há duas semanas um informe mais atualizado: segundo ele, o disco estaria pronto, só faltando os vocais - “Axl está trabalhando as letras”.


Dificilmente um álbum como Appetite... conseguirá vender quase 20 milhões de cópias no ano 2000. “Estávamos no lugar e na hora certa para definir uma geração. Assaltamos uma cena que estava new wave e chata, como a atual”, lembrou Duff McKagan, em entrevista ao repórter Daniel Oliveira, de SHOWBIZZ.

Axl vai precisar oferecer bem mais do que o hard rock que consagrou se quiser realmente voltar a ser o líder de mercado.

A rebeldia de outrora perida deixá-lo parecido com do Dr. Evil, o inimigo de Austin Powers que ficou congelado dos anos 60 aos 90 e, no primeiro filme da série, exige 1 milhão de dólares para não destruir a Terra. Como o vilão o dono do Guns também pode ter perdido os referencias. Violência? Rappers trocam tiros entre si e espancam jornalistsas. Sexo? Marilyn Manson jura que extirpou algumas costelas parar fazer felação em si próprio. Má reputação? Kid Rock declara que foi traficante, cheira uma e pratica bacanais.

Há caras e sons muito transgressores em qualquer esquina do pop. Porém, dificilmente algum deles é tão carismático quanto Axl. Tanto que o cantor conseguiu sendo notícia mesmo ausente do universo pop. Mais que uma mania de milionário excêntrico, a adoção de um regime de discrição, clausura e silêncio evita novos problemas. Enquanto Chinese Democracy - ou seja lá que nome tiver o novo álbum - não chegue a fazer bonito, ele viverá no reino das possibilidades. Até lá, parodiando aquela famosa canção do grupo, tudo que precisamos é de muita paciência.

Créditos: John 5
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Giovani

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